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GRUMEC- Mergulhadores de Combate - Brasil




Os primeiros Mergulhadores de Combate (MeC) da Marinha do Brasil tiveram sua formação básica junto aos SEALs da US Navy, em 1964. Como resultado desta experiência foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate. Mais tarde, outro grupo participaria do curso de Nageurs de Combat (Nadadores de Combate) da Marinha francesa. Assim, mesclando as técnicas do curso francês que privilegiava as operações de mergulho, com as do norte-americano que dava grande ênfase às operações terrestres, foi montada uma estrutura de treinamento perfeitamente adaptada às nossas necessidades. Atualmente denominado Grupamento de Mergulhadores de Combate (GruMeC), está diretamente subordinado ao Comando da Força de Submarinos e é composto por três equipes básicas de operações especiais (Alfa, Bravo e Charlie) e um Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR). A formação do MeC brasileiro nada fica a dever à de outros similares internacionais e é conduzido pelo CIAMA, centro de instrução localizado em Niterói (RJ). Para oficiais os requisitos iniciais incluem a aprovação em exames psicológico e médico, teste em câmara de descompressão e rigorosos testes físicos. O curso tem duração de 41 semanas, dividido em quatro fases, e objetiva habilitar os militares a operar equipamentos de mergulho, armamentos, explosivos, utilizar técnicas e táticas necessárias à execução das mais diversas missões de operações especiais, com ênfase especial ao planejamento dessas operações, já que o curso é específico para os oficiais que as liderarão. Para sargentos e cabos, com menos de 30 anos e que atendam às mesmas exigências do curso para oficiais, o treinamento dura 42 semanas de atividades instrucionais severas. Durante todo o período de ambos os cursos, os voluntários candidatos a MeC são submetidos a condições extremas de provações física e psicológica, sendo enfatizados os atributos de liderança em combate, sensatez, objetividade, improvisação e serenidade quando submetido a situações de risco ou estresse. O clima é sempre mantido o mais próximo possível daquilo que seria encontrado em uma situação operacional real e esta pressão constante faz com que somente cerca de 30 a 40% dos participantes consigam receber a aprovação final e conquistar o almejado distintivo dos MeCs da Marinha do Brasil. Realizar "ações específicas de guerra não-convencional em ambientes marítimos e ribeirinhos" seria a síntese de suas tarefas. Mas as complexas operações anfíbias têm no GruMeC um elemento virtualmente indispensável para que sejam bem sucedidas. Antes de qualquer desembarque, os MeCs são infiltrados no objetivo e devem colher uma gama de informações, como o grau de inclinação da praia a partir de sete metros de profundidade até a vegetação que circunda a areia, produzir um mapa com dados sobre o tipo de solo (areia, pedras, lama, etc), obstáculos naturais e artificiais (passíveis de demolição com explosivos), campos minados e até possíveis edificações e habitantes da área. Igualmente importante é a avaliação das forças de oposição, o que deve ser feito preferencialmente sem que haja o contato com o inimigo, embora estejam sempre preparados para um confronto que seja inevitável. Pode-se afirmar que o sucesso inicial de um desembarque anfíbio encontra-se nas mãos das equipes de MeCs infiltradas nas áreas-alvo dias antes da "Hora H" do "Dia D".
Nos demais campos da guerra naval suas missões incluem: destruir ou sabotar navios e embarcações, instalações portuárias, pontes, comportas de represas; capturar ou resgatar pessoal ou material; realizar reconhecimento, vigilância e coleta de dados de Inteligência; infiltrar e retirar agentes e sabotadores de território sob controle do inimigo; e interditar linhas de comunicação e de suprimentos em rios e canais. Para cumprir as tarefas descritas, os MeCs precisam ter à sua disposição variados meios de infiltração. O submarino, tendo em vista sua inerente discrição e capacidade de ocultação, constitui-se num dos principais meios utilizados. A partir dele os mergulhadores podem deslocar-se até o objetivo, usando equipamentos de mergulho, seja de circuito aberto ou fechado (este não produz bolhas, evitando sua detecção por elementos na superfície). Versáteis caiaques, de lona e dobráveis, para dois lugares, ou botes pneumáticos infláveis também podem ser lançados de submarino, auxiliando o deslocamento dos MeCs até o objetivo. A capacidade paraquedista dos integrantes do GruMeC amplia sobremaneira as suas possibilidades de emprego, estando aptos a saltar tanto de aeronaves de asa fixa, com saltos semi-automático livres, com abertura do paraquedas a baixa altitude (HALO) ou a grande altitude (HAHO), quanto de helicópteros. Neste caso o chamado "helocast" (salto livre, sem paraquedas, sobre a água) é uma das técnicas mais empregadas. O helicóptero oferece várias outras opções para transporte e inserção dos MeCs, como pouso de assalto e descidas por "rappel" ou "fast rope". O dia-a-dia dos membros do GruMeC constitui-se numa incontável gama de atividades, que vão muito além do seu constante adestramento, participando de todas as operações anfíbias da Esquadra, no apoio de lançamentos de torpedos e mísseis, em operações ribeirinhas na Amazônia e no Pantanal, assim como exercícios de retomada de navios e plataformas de petróleo. Visando manter-se atualizado nas técnicas mais avançadas em uso a nível mundial, o Grupamento tem procurado realizar intercâmbios com os seus principais congêneres de outros países. Alguns dos armamentos usados pelos MeCs incluem o fuzil de assalto Colt M-4, de 5,56 mm, submetralhadoras Mini-Uzi, de 9 mm, pistolas automáticas Taurus PT 92 AF, de 9 mm, e metralhadoras FN Minimi, de 5,56 mm. Para enfrentar ameaças blindadas utilizam-se do lança-rojão descartável AT-4, de 84 mm, com munição tipo HEAT e alcance efetivo de 300 metros. Os atiradores de elite (snipers) usam o fuzil Parker-Hale M.85, de 7,62 mm, de excepcional precisão (100% de acerto no primeiro tiro, com distância de até 600 metros), equipado com uma luneta Schmidt & Bender 6 x 42, de origem alemã. Equipamentos específicos incluem caiaques Klepper Aerius utilizáveis em qualquer condição climática e podendo navegar em mar aberto, rios e regiões pantanosa; monóculo de visão noturna Mini N/Seas de fabricação israelense, à prova d'água até 20 metros; minas de casco de pequeno porte, utilizadas para sabotar navios ou submarinos ancorados, dentre outros. Os Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil, ainda que em pequeno número, estão altamente preparados para responder a quaisquer ameaças em território nacional, seja no mar, nos rios ou em regiões pantanosas, não medindo esforços para cumprir com êxito as missões que lhes são atribuídas, pois como diz seu lema: "A sorte sempre acompanha os audazes" ("Fortuna Audaces Sequitur").


Forças de Elite

 
                                                                           Eu que fiz! 

Soldado da Brigada Golani - Israel Atuação: Guerra dos Seis Dias - 1967



Sayeret Golani  é uma unidade de elite, especializada em reconhecimento e combate atrás das linhas inimigas, organicamente vinculada às tropas regulares da Brigada Golani, do Exército israelense. Como é comum à todas as forças especiais de Israel, o treinamento para se tornar um membro da Sayeret Golani é extremamente rigoroso e o voluntário será testado por aproximadamente dois anos antes de ser considerado efetivo na unidade. Normalmente os uniformes das Forças Armadas israelenses parecem ter um certo aspecto de informalidade, onde as divisas com a patente ou os emblemas da unidade se reduzem ao mínimo, muitas vezes ficando imperceptível, como se pode verificar na ilustração ao lado. O soldado retratado aqui participou da operação contra tropas sírias entrincheiradas no monte Hermon, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ele veste uma jaqueta verde-oliva com fechamento por zíper e botões de pressão, e calças com camuflagem tipo "camaleão" muito comuns nas tropas de elite do país. O cinturão é um modelo americano e o fuzil que carrega é uma versão pesada do tradicional FN FAL, de 7,62 mm.

Ao norte da fronteira sírio-israelense ficam as colinas de Golan, que culminam no maciço do monte Hermon, com 2.750 metros, de onde se pode estrategicamente avistar uma parte do território judaico. Durante a Guerra dos Seis Dias, a Síria tanto fortificara suas posições ali que suas casamatas eram à prova de artilharia ou ataques aéreos, sendo vulneráveis somente a forças terrestres. Após intensos ataques da Força Aérea de Israel (FAI) a resistência síria parecia intacta e na manhã de 9 de junho de 1967 foi desencadeada uma ofensiva para retomar as colinas. Dois batalhões da Brigada Golani, com apoio de tanques Sherman, avançaram para o norte do kibutz de Kfar Szold e escalaram as escarpas, deixando a fortificação de Tel Azzaziat a sua esquerda, que seria atacada pela retaguarda. As tropas israelenses foram imediatamente alvejadas pela artilharia síria, enquanto os Sherman eram atingidos pelo fogo de carros de combate e canhões anti-tanque. Além disso, minas destruíram parte do apoio blindado israelense, mas alguns veículos conseguiram atingir o platô.

A área de Tel Faher era um viveiro de casamatas, trincheiras, ninhos de metralhadoras circundados por campos minados e três cercas duplas de arame farpado. Comandantes de batalhão, companhia e pelotão foram mortos, mas logo substituídos. A batalha estendeu-se por todo o dia, com os homens da Brigada Golani envolvidos em combates cada vez mais intensos, avançando com muita determinação e coragem, ganhando terreno passo a passo. Então por volta das 18 horas Tel Faher estava nas mãos dos israelenses. Ao mesmo tempo, o terceiro batalhão Golani abrira caminho para o norte pelo topo das colinas. Ao entardecer lançou um ataque com apoio de carros de combate sobre as defesas de retaguarda de Tel Azzazziat, subjulgando por completo a fortificação. Os combates pelas colinas de Golan custaram à Síria cerca de 2.500 mortos, 5.000 feridos e aproximadamente cem tanques e duzentas peças de artilharia destruídos. As baixas israelenses somaram 115 mortos e 306 feridos, com grandes perdas materiais também, porém restava a tarefa de garantir as posições conquistadas em Golan, fundamental para a integridade do Estado judeu contra futuras agressões vindas da Síria.

Outra atuação importante da unidade foi a participação no célebre e ousado resgate de reféns no aeroporto de Entebbe, Uganda, em julho de 1976 (Operação Jonathan). Um elemento mecanizado, usando veículos M-113, teve a missão de assegurar o perímetro do aeródromo e destruir os caças ugandenses ali estacionados, impedindo qualquer reação das forças locais.

Legionário francês Atuação: Ex-colônias francesas


A Legião Estrangeira é uma força de combate única no gênero. Tecnicamente um corpo mercenário, tem demonstrado a seu pagador devoção e lealdade sem precedentes neste tipo de unidade. Os únicos requisitos para a admissão de legionários são um exame físico rigoroso e ter entre 18 e 40 anos, o que tem atraído pessoas de todas as partes do mundo, compondo um grupo com mais de cem nacionalidades, onde servirão por pelo menos cinco anos. Pertencer a Legião significa estar entre os mais resistentes soldados do mundo e o fator responsável por sua existência até hoje é uma tradição de mais de 150 anos de lutas. Sempre que a França precisou intervir em suas ex-colônias na África e na Ásia os legionários eram os primeiros a chegar. Seu lema: "Legio patria nostra" (A Legião, nossa pátria).


Em 1953, a Guerra da Indochina (atual Vietnã) atingiu seu ponto culminante na Batalha de Dien Bien Phu em que a Legião teve papel decisivo. Em novembro daquele ano tropas do 1° Batalhão Estrangeiro de Paraquedistas (BEP) saltaram sobre a pequena vila na fronteira com o Laos para reformar a pista de pouso e organizar posições de defesa. Ao longo dos seis meses seguintes os legionários resistiram a incessantes ataques em massa dos homens do Vietminh, liderados pelo lendário general Giap, além de pesado fogo de artilharia, num campo de batalha que em muito lembrava a Primeira Guerra Mundial: trincheiras, obstáculos de arame farpado, ataques surpresa noturnos e ferozes combates corpo a corpo.


No início de maio de 1954 ocorreu o assalto final quando ondas de ataques do Vietminh esmagaram as defesas francesas e o vilarejo de Dien Bien Phu foi definitivamente tomado pelos comunistas. Dos 4.000 soldados franceses mortos em combate, 1.500 eram legionários. Embora a França tenha perdido esta guerra, a Legião relembra com orgulho as campanhas da Indochina, onde lutou brava e obstinadamente até o fim, tendo sofrido no período suas piores baixas com 10.490 soldados e oficiais mortos, e cerca de 30.000 feridos. Mais tarde participaria em intervenções importantes em outras possessões francesas ou na defesa dos interesses do país ao redor do planeta, como na Argélia, no Chade, em Djibuti, no Marrocos, no Líbano e mais recentemente nos Balcãs e no Afeganistão.


Exceto nas cerimônias oficiais e desfiles, quando são usados uniformes de gala na cor cáqui e quepe branco, os uniformes da Legião seguem um estilo espartano, em tom verde escuro ou no padrão de camuflagem do Exército francês. O quepe deste legionário é preto com a parte superior na cor vermelha, com a insígnia dourada na parte frontal, mas normalmente se usa a boina verde característica desta tropa. A túnica possui diversos emblemas com sua patente e os símbolos de seu regimento, podendo-se notar ao redor do braço esquerdo o cordão vermelho e no peito as diversas medalhas por serviços prestados. No lado esquerdo da veste está afixado o brevê de paraquedista, comum nos uniformes já que praticamente todos os membros da Legião estão habilitados em saltos. Sua arma é um fuzil FAMAS F1, de calibre 5,56 mm.

Selous Scouts Atuação: Rodésia - 1977


Criada em dezembro de 1973 e extinta em março de 1980, a unidade britânica dos Selous Scouts teve menos de sete anos de história operacional. Mesmo em tão curto intervalo de tempo, destacou-se em operações nas selvas do continente africano. Na linguagem militar "scout" significa "esclarecedor", elemento da infantaria incumbido de realizar reconhecimento de combate. O Regimento dos Selous Scouts adotou esse nome em homenagem a um explorador britânico, Frederick Courtney Selous, que teve importante papel na conquista da Rodésia (atual Zimbabwe).

Organizada como força de reconhecimento, tinha como principal função localizar na floresta os ardilosos guerrilheiros nacionalistas e fornecer informações ao comando central das forças de segurança rodesianas. Formado somente por voluntários, apenas 15% dos pretendentes adquiriam o direito de usar a boina marrom da unidade. O sucesso dos Selous Scouts no desempenho de sua missão é irrefutável: creditou-se oficialmente a eles a responsabilidade pela baixa de 68% dos guerrilheiros, com a morte de apenas quarenta esclarecedores em ação.

O efetivo do regimento era de pouco mais de 1.500 homens, com formação tática básica composta de três seções de oito homens, que na selva dividiam-se em dois grupos menores para dificultar a sua detecção pelo inimigo. Além de sua função principal, os Selous Scouts tinham um segundo papel, secreto,a desempenhar. Esclarecedores negros se infiltravam entre os guerrilheiros para poder antecipar suas intenções e eliminar seus líderes. Por diversas vezes atuavam fora das fronteiras do país e a mais importante dessas ações foi o ataque contra o campo de refugiados rodesianos em Nyazonia, Moçambique, quando cem esclarecedores, disfarçados de soldados da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), cercaram o campo onde estavam cerca de 5.000 pessoas e mataram mais de seiscentos rodesianos, a maioria guerrilheiros.

A capacidade de destruição de uma força tão pequena constituiu prova da superioridade tática dos Selous Scouts em relação aos nacionalistas. Mas no final isso não bastou. A vitória de Robert Mugabe nas eleições de 1980 selou o fim do colonialismo britânico na Rodésia, agora rebatizada de Zimbabwe, e marcou a extinção do Regimento dos Selous Scouts.

Os Selous Scouts apresentavam um aspecto deliberadamente desleixado tanto no uniforme como na aparência geral, como mostra a figura do soldado acima. A única parte oficial do uniforme desse soldado é a camisa, no estilo camuflado rodesiano. O gorro de lã, o calção e a bota não seguem qualquer padronização. Os esclarecedores utilizavam diversos tipos de equipamento, inclusive bolsas no estilo vietcongue. O cinturão britânico tem bolsas para munição e dois cantis plásticos americanos. O fuzil FN FAL de 7,62 mm está pintado com cores de camuflagem, uma prática comum no Exército rodesiano.

Comando do Serviço Aéreo Especial (SAS) País de origem: Grã-Bretanha- Atuação: Guerra das Malvinas - 1982


O SAS está diretamente ligado à Força Aérea britânica sendo rigorasas as exigências para o alistamento: o volantário deve ter no mínimo 1,80 m de altura, pesar entre 75 e 80 quilos, ter grande preparo físico e estar qualificado no manejo de diversos tipos de armas e equipamentos. Sobretudo precisa demonstrar disposição para operações de alto risco.


Foram comandos desta unidade que iniciaram a retomada das Malvinas. Nas águas geladas do Atlântico Sul, os SAS enfrentaram temperaturas de até 15 graus negativos, fortes correntes marítimas e rochedos íngremes que dificultavam sobremaneira as ações.


Graças às informações obtidas por estes comandos, fornecidas à força naval inglesa por meio de minúsculos transmissores do tamanho de uma caixa de fósforos e alcance de 300 km, as Ilhas Geórgia do Sul foram facilmente reconquistadas, abrindo caminho para a posterior retomada das Ilhas Malvinas.


Comando de elite inglês, o SAS (Special Air Service) sempre usou uma grande variedade de equipamentos e uniformes. O uniforme básico consiste em um colete especial e calças com camuflagem DPM (disruptive pattern material), modelo da Marinha Real. Além do cinto personalizado, outra característica singular é o capuz de lã preta, usado em operações "atrás das linhas inimigas".


O soldado do SAS está armado com fuzil Colt Commando XM 177, calibre 5,56 mm, versão compacta do M-16 americano, pintado em cores que permitem sua camuflagem; um pente extra está preso no carregador de 20 cartuchos.

Highlander - Exército britânico- Atuação: Aden, Golfo Pérsico - 1967


Um dos mais famosos regimentos da Escócia, o dos Highlanders de Argyll e Sutherland (A&SH), possui tradições que remontam ao ano de 1794, quando 91 montanheses foram recrutados para combater soldados da Revolução Francesa. Entre 1870 e 1880 participaram das guerras que expandiram o Império Britânico.


Na Primeira Guerra Mundial, já com quinze batalhões, o A&SH teve pesadas baixas na frente ocidental: quase 7.000 oficiais e soldados foram mortos. Com nove batalhões na Segunda Guerra Mundial, combateu principalmente na Malásia e na Itália. Atuou ainda na Palestina, Quênia, Chipre e Guerra da Coréia onde obteve considerável reputação. Mas foi em Aden, atual capital do Iêmen do Sul, no Golfo Pérsico, que os Highlanders se tornaram conhecidos por sua atuação fulminante nos conflitos urbanos, em 1967.


A cidade próxima de Crater havia caído em mãos de rebeldes nacionalistas e o regimento recebeu ordem de retomá-la. Numa brilhante operação os soldados britânicos introduziram-se na cidade ao cair da noite e aniquilaram rapidamente os guerrilheiros, restabelecendo o controle da área.


A popularidade dos Highlanders era tanta que quando o governo inglês, por contenção de gastos, resolveu desmobilizar o A&SH, uma petição com mais de um milhão de assinaturas foi entregue às autoridades, solicitando que não o fizesse. E conseguiram. Os Highlanders continuaram, mas tiveram suas atividades reduzidas.


Embora se identifique por uma série de características escocesas, o soldado highlander usa jaqueta e calças cáquis padronizadas do Exército britânico. Suas botas têm solas de borracha e as polainas de lã são curtas. O cinto é o modelo de 1958. Um acessório importante é o quepe Glengary azul, com a faixa quadriculada vermelha e branca, característica dos Highlanders. O cabo usa suas divisas no braço direito, costuradas no tecido xadrez próprio de seu regimento. Note-se o distintivo no quepe, prateado e com as letras A&SH gravadas no centro. O fuzil é o indefectível FAL L1A1, com calibre 7,62 mm. Costumavam portar também máscara contra gases n° 4 Mk2 nas operações de controle de tumultos urbanos em Aden.

Fuzileiro Gurkha- Atuação: Guerra das Malvinas - 1982


Um traço marcante da herança colonial é o fato do Exército britânico poder contar com batalhões de fuzileiros gurkhas, constituído basicamente de nativos das montanhas do Nepal, em suas fileiras. O primeiro contato dos britânicos com os gurkhas foi na condição de inimigos, que passaram a se respeitar mutuamente. Mas ao final do século XIX estes guerreiros já formavam unidades respeitadas nas Forças Armadas inglesas.

Nas duas guerras mundiais os nepaleses puseram à disposição da Inglaterra dez regimentos (vinte batalhões) e ganharam a reputação de uma força de infantaria arrojada, atuando em Gallipoli, na Mesopotâmia e na Palestina em 1914-1918; nos desertos da África, na Itália e na Birmânia em 1939-1945. Depois de 1945, apesar das glórias conquistadas nos campos de batalha, o futuro dos gurkhas parecia incerto. Seis regimentos foram enviados para a Índia, após a independência do país em 1947, e os outros quatro permaneceram a serviço de Sua Majestade, sendo enviados para a Malásia, sua nova base, onde logo estariam atuando na repressão ao levante comunista.

Suas técnicas aprimoradas de combate na selva foram postas em prática novamente no conflito em Bornéu, em 1966, impedindo a expansão do domínio indonésio sobre a ilha, o que lhes valeu a Cruz da Vitória, por sua atuação na campanha. Em 1982 os gurkhas voltaram a entrar em ação, quando seu 7° Regimento foi anexado à força-tarefa encarregada de retomar as ilhas Malvinas, em poder dos argentinos.

Eram escalados para missões de patrulha e reconhecimento, mas tiveram participação decisiva na tomada do monte Wiliams na parte final da batalha para assegurar a capital Port Stanley. Apesar do fim do império, os gurkhas continuam ligados ao cenário militar britânico, como combatentes e como soldados cerimoniais eventualmente ocupando um lugar junto à guarda do Palácio de Buckingham, em Londres.

Veterano de combates em áreas tropicais, este gurkha usa calça e camisa verde-folha e o equipamento padrão britânico de 1944. O emblema de pano da companhia, preso à frente e atrás do quepe, serve como identificação, evitando que os fuzileiros atirem em seus próprios companheiros quando em patrulhas por matas espessas. A tela anti-inseto é usada como cachecol. Outra característica de um combatente dos trópicos são os coturnos de borracha e lona para operações na selva. De estatura geralmente menor que os demais soldados britânicos, os gurkhas preferem o fuzil leve americano M-16, de 5,56 mm. Inseparável é a faca de combate kukri, em curva e tradicional de seu povo, que eles tornaram mundialmente famosa, por sua destreza em manuseá-la.

Soldado das Brigadas de Infantaria de Selva- Atuação: Selva amazônica - Brasil


Com uma área de quase 5 milhões de km², equivalente a sete vezes o tamanho da França, a selva amazônica é um ambiente hostil ao homem, por seus animais peçonhentos, rios caudalosos, igarapés, densa vegetação e grande umidade. A sua importância estratégica para o Brasil reside nos seus infindáveis recursos minerais e vegetais e no fato de ter 11.000 km de fronteiras com países vizinhos.

No cumprimento de sua missão constitucional de garantir a integridade do território, o Exército Brasileiro teve de adaptar-se ao desafio, buscando uma doutrina de operações apropriadas ao meio. O primeiro passo nesse sentido foi a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), sediado em Manaus, por onde passam, em cursos ou estágios, os oficiais e graduados que vão servir na região, sob o Comando Militar da Amazônia.

No CIGS são ministrados conhecimentos peculiares ao combatente de selva, tais como: sobrevivência, transposição de obstáculos verticais e horizontais, armadilhas, tiro diurno e noturno, técnicas para transpor cursos de água com pontes improvisadas com cordas, manejo de explosivos, entre outros. A organização das Brigadas de Selva é semelhante à de uma brigada convencional de infantaria, porém adaptada ao meio ambiente onde deve cumprir a missão. O treinamento também é adequado às dificuldades da região, que apresenta perigos de todos os tipos, iminência constante de combate ou ações de emboscada, além da precariedade de suprimentos e comunicações.

O combatente de selva do Exército Brasileiro, normalmente recrutado entre os povos que habitam a Amazônia, destaca-se por sua aclimatação ao ambiente, o que exige abnegação, frugalidade e coragem, colocando-se entre os melhores do mundo, referência internacional quando se fala em guerra na selva, recebendo anualmente no CIGS oficiais de diversos países amigos, incluindo, Estados Unidos, Colômbia, Peru, Grã-Bretanha e França, que aqui vêm aprimorar seus conhecimentos.

A ilustração mostra como os uniformes em uso no CIGS são adequados para a camuflagem na região e passam por estudos constantes que visam aperfeiçoá-los. Além da japona especial que proporcione proteção sem tolher a mobilidade, os coturnos devem ter orifícios de ventilação e saída da água para facilitar a secagem após intenso suor e inúmeras travessias de igarapés. Portam ainda um tipo de ferramenta de múltiplo emprego: machado, lâmina de facão e instrumento para cavar, servindo ainda como arma individual. Carregam sempre dois cantis devido ao excessivo consumo de água. O fuzil é o Pára-FAL, de 5,56 mm.

Comando egípcio- Atuação: Guerra dos Seis Dias - 1967


O Exércio egípcio se transformou substancialmente desde a eleição do coronel Gamal Abdel Nasser para presidente em 1954. Este herdou as Forças armadas do país com uma inglória tradição de incompetência e profundas divisões sociais, cujo principal legado deste período era uma estrutura de patentes, comando e uniformes de estilo britânico.


O Exército reformulado após 1954 passou a ser armado pela então União Soviética, rigorosamente disciplinado e com a redução da diferença social entre oficiais e soldados. Objetivos principais dessa Força: manter o regime no poder, destruir o Estado de Israel e apoiar os aliados árabes nas disputas militares. Em 1967 sofreu desastroso revés na Guerra dos Seis Dias, contra Israel, devido à inferioridade do equipamento russo, às táticas inadequadas propostas pelos assessores soviéticos e à supremacia aérea israelense.


Nos anos seguintes o Exército egípcio apresentou considerável melhoria, selecionando e treinando melhor os novos recrutas, que passavam a soldados regulares ao fim de um serviço militar de três anos, mais experientes e profissionais. No início dos anos 70, com a posse de Anuar Sadat, houve um distanciamneto em relação a Moscou, com substituição das armas e doutrina militar russas por suas congêneres ocidentais. O Egito planejava atacar Israel de surpresa, imaginando que seu Exército estava preparado para ações ofensivas, com batalhas mais limitadas, nas quais seus mísseis contrabalançariam a superioridade blindada e aérea do inimigo.


Na Guerra do Yom Kippur em 1973, inicialmente essa tática funcionou com relativo sucesso e o Exército egípcio teve bom desempenho, até ser obrigado a sair da cobertura dos seus mísseis e ser derrotado pelos tanques israelenses. Apesar disto mostrou que era muito melhor em termos de capacidade de combate do que a Força irregular da década de 60. Aproximando-se dos Estados Unidos, e por ele sendo reequipado, os egípcios abandonaram a obsessão de uma vitória armada sobre Israel, transformando-se numa potência africana regional. 


O soldado, integrante de uma força de comandos, usa uniforme de camuflagem um pouco incomum, adequado às condições do deserto, palco da maioria das operações do Exército egípcio. Tão boa quanto o capacete de aço soviético, a bolsa de máscara de gás (usada provavelmente como mochila na bandoleira) é também de fabricação russa. O cantil é de origem americana e a submetralhadora, uma Port Said egípcia de 9 mm, uma versão local da Carl Gustav M45B sueca.

Boinas Verdes - Exército americano- Atuação: Vietnã - 1968


As Forças Especiais americanas, cujos membros são conhecidos como os "boinas verdes", foram oficialmente criadas no dia 20 de junho de 1952 em Fort Bragg, com a formação do 10º Grupo de Forças Especiais. Um ano depois constituiu-se uma segunda unidade, o 77º Grupo. Em 1961, os dois grupamentos totalizam 800 homens e faziam parte regular do Exército americano. Apesar de contestadas por muitos, o presidente Kennedy as encarava como a arma ideal no combate aos movimentos guerrilheiros que surgiam em diversos países do Terceiro Mundo e insistiu em sua expansão, aumentando seu efetivo para 5.000 soldados.

Nessa época elas foram maciçamente empregadas contra os vietcongues, no Vietnã, onde já estavam atuando desde 1957, fornecendo treinamento para as tropas sul-vietnamitas. A unidade básica das Forças Especiais era a Equipe A, que consistia em dois oficiais e dez soldados, todos voluntários que recebiam adestramento em cinco especialidades: armas, comunicações, primeiros-socorros, informação e engenharia, além de estar preparados para longas permanências na selva. Sua atuação pode ser dividida em três níveis. O primeiro correspondeu à criação dos Grupos Civis Irregulares de Defesa nas montanhas da região central vietnamita, onde combateram o avanço inimigo nessa área de importância estratégica vital, operações que aumentaram de escala até o final da ofensiva do Tet (1968), quando transferiram essa responsabilidade para as Forças Especiais do Vietnã do Sul.

O segundo plano de atuação correspondeu aos chamados Projetos Alfabeto, em que unidades de reconhecimento eram utilizadas para se infiltrar em áreas controladas pelas forças inimigas. O último nível ainda tem uma aura de mistério: tratava-se das atividades do Grupo de Estudos e Observações, criado em 1964, contando com cerca de 2.000 homens, que efetuava operações clandestinas através da fronteira, incluindo o resgate de pilotos abatidos em território norte-vietnamita.

Outro capítulo obscuro das Forças Especiais foi o seu envolvimento na contra-insurreição em países da América Latina, onde além de treinar oficiais e soldados latino-americanos na Escola das Américas, no Panamá, participaram diretamente de uma série de operações altamente secretas, principalmente na Guatemala, na Colômbia e na Bolívia. Posteriormente as Forças Especiais atuaram no Oriente Médio em países como o Irã, Afeganistão e Iraque, sempre exercendo suas atividades sob grande sigilo.

Embora a proteção de cabeça seja do tipo comumente usado no Vietnã, o uniforme básico deste soldado é feito de tecido camuflado padrão folhagem. O distintivo do grupo de transportes aéreos das Forças Especiais, uma adaga com três raios sobre fundo azul, pode ser visto na manga esquerda do uniforme. Devido ao clima tropical do Vietnã, as botas eram confeccionadas em náilon e couro. O equipamento portátil corresponde ao modelo M1956, com mochila, cinturão com bolsas de munição, granada, cantil, kit de primeiros-socorros, baioneta e coldre para a pistola calibre .45. A arma principal é o fuzil de assalto M16 A1, de 5,56mm.                                              


As Forças Especiais americanas, cujos membros são conhecidos como os "boinas verdes", foram oficialmente criadas no dia 20 de junho de 1952 em Fort Bragg, com a formação do 10º Grupo de Forças Especiais. Um ano depois constituiu-se uma segunda unidade, o 77º Grupo. Em 1961, os dois grupamentos totalizam 800 homens e faziam parte regular do Exército americano. Apesar de contestadas por muitos, o presidente Kennedy as encarava como a arma ideal no combate aos movimentos guerrilheiros que surgiam em diversos países do Terceiro Mundo e insistiu em sua expansão, aumentando seu efetivo para 5.000 soldados.

Nessa época elas foram maciçamente empregadas contra os vietcongues, no Vietnã, onde já estavam atuando desde 1957, fornecendo treinamento para as tropas sul-vietnamitas. A unidade básica das Forças Especiais era a Equipe A, que consistia em dois oficiais e dez soldados, todos voluntários que recebiam adestramento em cinco especialidades: armas, comunicações, primeiros-socorros, informação e engenharia, além de estar preparados para longas permanências na selva. Sua atuação pode ser dividida em três níveis. O primeiro correspondeu à criação dos Grupos Civis Irregulares de Defesa nas montanhas da região central vietnamita, onde combateram o avanço inimigo nessa área de importância estratégica vital, operações que aumentaram de escala até o final da ofensiva do Tet (1968), quando transferiram essa responsabilidade para as Forças Especiais do Vietnã do Sul.

O segundo plano de atuação correspondeu aos chamados Projetos Alfabeto, em que unidades de reconhecimento eram utilizadas para se infiltrar em áreas controladas pelas forças inimigas. O último nível ainda tem uma aura de mistério: tratava-se das atividades do Grupo de Estudos e Observações, criado em 1964, contando com cerca de 2.000 homens, que efetuava operações clandestinas através da fronteira, incluindo o resgate de pilotos abatidos em território norte-vietnamita.

Outro capítulo obscuro das Forças Especiais foi o seu envolvimento na contra-insurreição em países da América Latina, onde além de treinar oficiais e soldados latino-americanos na Escola das Américas, no Panamá, participaram diretamente de uma série de operações altamente secretas, principalmente na Guatemala, na Colômbia e na Bolívia. Posteriormente as Forças Especiais atuaram no Oriente Médio em países como o Irã, Afeganistão e Iraque, sempre exercendo suas atividades sob grande sigilo.

Embora a proteção de cabeça seja do tipo comumente usado no Vietnã, o uniforme básico deste soldado é feito de tecido camuflado padrão folhagem. O distintivo do grupo de transportes aéreos das Forças Especiais, uma adaga com três raios sobre fundo azul, pode ser visto na manga esquerda do uniforme. Devido ao clima tropical do Vietnã, as botas eram confeccionadas em náilon e couro. O equipamento portátil corresponde ao modelo M1956, com mochila, cinturão com bolsas de munição, granada, cantil, kit de primeiros-socorros, baioneta e coldre para a pistola calibre .45. A arma principal é o fuzil de assalto M16 A1, de 5,56mm.

102º Batalhão Recon - República Tcheca


A história da formação e ativação do 102º Batalhão de Reconhecimento teve início em 1994, quando o Destacamento de Reconhecimento a Longa Distância foi criado, com sede na cidade de Kromeriz. Posteriormente, esta unidade foi transferida para a base de Prostejov e devido à reorganização das Forças Armadas tchecas em outubro de 2000 foi integrada à 1ª Divisão Mecanizada, com a designação de 11º Batalhão de Reconhecimento. Ainda em consequência de subsequentes reformulações na estrutura das tropas daquele país, em 2003 foram dissolvidos o 2º, o 4º e o 7º Batalhões de Reconhecimento com sede nas cidades de Strasice, Bechyne e Kromeriz respectivamente, sendo em seguida ativado o 102º Batalhão de Reconhecimento tornando-se a única tropa paraquedista de reconhecimento das Forças Armadas tchecas. Esta unidade especial tem como missão conduzir ações de reconhecimento clássico, reconhecimento com a utilização de VANT (Veículos Aéreos Não Tripulados), assalto aeroterrestre, resgate e exfiltração, localização e eliminação de alvos valiosos, ações anti-terroristas, proteção de áreas vitais, e reconhecimento a longas distâncias. Também está preparada para executar ações em conjunto com outras tropas regulares em situações específicas e com planejamento prévio. Devido às suas características de unidade de elite não se tem poupado esforços para equipá-la com o que há de mais moderno em termos de armas e equipamentos, como veículos especiais de combate BpzV, radares, o VANT Sojka III, fuzis de assalto CZ 805 A1 e Colt M-4, submetralhadoras CZ Skorpion e H&K MP-5, fuzil sniper Dragunov, pistolas CZ G-2000 e Glock, lança foguete RPV-7, lança rojão Carl Gustav M3, equipamentos especiais de comunicação, entre outros, o que a coloca no mesmo nível das melhores do mundo.

Seus membros são todos voluntários, que além de suas especialidades técnicas têm que obrigatoriamente ter o curso de paraquedismo. Curiosamente, o Exército tcheco não possui uma escola de paraquedismo, mas os jovens recrutas dispoem de uma área de formação básica aeroterrestre dentro da Academia Militar de Vyskov, onde participam de um curso de quatro semanas, após o qual realizam os saltos que permitirão que recebam seus prevês. Posteriormente, já no 102º Batalhão podem participar do curso de abertura manual operacional que é concluído após a realização do 30º salto. A insígnia da unidade tem a forma circular com fundo verde e contorno em vermelho. Ao centro, um paraquedas, asas e dois raios cruzados, onde os primeiros representam a sua capacidade de executar o reconhecimento aeroterrestre e os raios simbolizam seu caráter nobre. O punhal que sobrepõe o emblema denota sua capacidade de empreender o combate através de pequenas frações especiais, bem com a aptidão para o uso de meios não convencionais. Os uniformes regulamentares são os mesmos padronizados para as demais tropas da República Tcheca, porém a unidade dispõe de outros bastante específicos adaptados às missões e ao terreno onde deverão atuar, seja para infiltração com técnicas HALO/HAHO ou para operações no clima árido do Afeganistão no âmbito das missões de paz da ONU, por exemplo. São permitidos dois tipos de boinas: a grená, exclusiva para os militares habilitados no Curso de Paraquedismo e a verde, exclusiva para os militares oriundos das unidades regulares sem qualquer formação aeroterrestre.

Grupo de Forças Especiais (SFG) - Japão


Em 1998, a Agência de Defesa japonesa propôs estudos para a formação de uma unidade de elite capaz de executar tarefas na luta contra o terrorismo. Para tanto foram selecionados voluntários junto às Forças Terrestres de Auto-Defesa do Japão (Japanese Ground Self-Defense Forces - JGSDF) como é denominado o Exército no país, que foram enviados aos Estados Unidos para serem treinados por membros da Delta Force. Após três anos de treinamento e organização, foi criado em março de 2004 o Grupo de Forças Especiais japonês (Tokushu Sakusen Gun ou Special Forces Group - SFG) operacionalmente vinculado às JGSFD, como unidade especializada na luta antiterrorista em solo japonês e para conduzir operações especiais contra guerrilhas ou comandos inimigos. Com efetivo de cerca de 300 homens, está baseada na cidade de Narashino, juntamente com a 1ª Brigada Paraquedista. O SFG frequentemente é chamado de "Delta Force japonesa", devido à semelhança de suas missões com a da renomada força especial americana. Já no ano seguinte, quatro de seus membros foram designados para atuarem na segurança pessoal do comandante do contingente japonês no Iraque, na primeira atuação de tropas japonesas fora de seu território desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 2007, o SFG juntamente com a 1ª Brigada Paraquedista, a 1ª Brigada de Helicópteros e a 101ª Unidade de Proteção NBC passou a constituir a Força Central de Pronto Emprego das JGSDF. Liderada por um oficial com a patente de coronel, seu centro de operações conta com quatro departamentos: 1º Departamento - Assuntos Gerais; 2º Departamento - Inteligência; 3º Departamento - Planejamento; e 4º Departamento - Logística. As unidades operacionais são: a 1ª Companhia, formada pelo 1º Pelotão (esquadrões especializados como Assalto, Snipers ou Comunicações), 2º Pelotão (Marítimo), 3º Pelotão (Montanha) e 4º Pelotão (Combate em áreas urbanas); 2ª Companhia; e 3ª Companhia.

 Os potenciais recrutas do SFG são oriundos da 1ª Brigada Paraquedista e portanto todos eles estão qualificados para operações aerotransportadas. Para o treinamento especializado o 2º Pelotão participa de exercícios com as Forças Marítimas de Auto-Defesa do Japão (Marinha japonesa). Os demais pelotões utilizam as instalações próprias do SFG dentro da base de Narashino. Os equipamentos à disposição do SFG são os mesmos utilizados pelas demais unidades das JGSDF, como uniformes, veículos utilitários Toyota Koukidoushas e blindados Komatsu, contando ainda com o apoio da Brigada de Helicópteros no transporte, infiltração/exfiltração de comandos e assalto aéreo. O SFG está equipado com diversos tipos de armamentos como o fuzil de assalto Colt M-4A1, submetralhadoras H&K MP-5 SD6, pistolas automáticas H&K  USP9, fuzis sniper Barret M95 e Remington M24, além de MANPAD Type 91, mísseis anti-tanque Type 01 e canhão sem recuo Howa 84RR. Com o intuito de proteger a identidade daqueles que servem no SFG, suas faces são cobertas por balaclavas e seus nomes não podem ser revelados, a não ser com autorização expressa de seus comandantes. Além disso, a entrada em certas áreas da base de Narashino, principalmente onde se encontram os alojamentos do SFG, é proibida à pessoas não autorizadas.

Shayetet 13 - Israel


Unidade de elite da Marinha israelense, sediada na Base Naval de Atlit,  a Shayetet 13 (Flotilha 13 ou S'13) está entre as mais antigas unidades de forças especiais de Israel, tendo sua origem em 1949 como um pequeno grupo de comandos navais da Hagana, o movimento de resistência judaica contra a ocupação britânica na Palestina. Somente em 1960 a existência  da S'13 se tornou pública e seus membros passaram a ostentar a famosa insígnia alada. Ao irromper a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a unidade ainda estava em treinamento e algumas de suas missões durante o conflito não foram bem sucedidas, sendo a mais conhecida a realizada no dia 6 de maio quando seis de seus homens foram capturados e mantidos como prisioneiros de guerra por seis meses. Em 1969, a unidade sofreria um novo revés quando três de seus membros foram mortos e outros dez foram gravemente feridos durante um assalto à Green Island. Porém na Guerra do Yom Kippur, em 1973, homens do S'13 atuando em portos do Egito e da Síria, virtualmente interromperam a navegação de embarcações inimigas ao longo de toda a região sul do Canal de Suez.

As experiências vividas nestes conflitos levaram a uma mudança doutrinária nos anos seguintes, focando-se o treinamento em operações de incursão do mar para a terra, em técnicas avançadas de mergulho, manuseio de botes e caiaques, além de especializações necessárias ao desempenho de suas tarefas. Em 1979, o novo comandante da unidade Amy Ayalon liderou a maior reorganização na estrutura e no regime de treinamento da S'13, proporcionando um maior intercâmbio com outras unidades de elite das Forças de Defesa de Israel (FDI), ao fim da qual ela estava maior, mais bem treinada e muito melhor preparada para o combate. O resultado não demorou a aparecer. No início da década de 80, a unidade teve um envolvimento crescente na invasão do Líbano, colecionando uma série de dezenas de operações bem sucedidas a cada ano, sem ter sofrido uma única baixa no período. Faziam parte de suas missões interceptar e neutralizar barcos com terroristas, destruição de bases ou equipamentos do inimigo, conduzir emboscadas e sabotar as rotas usadas pelos terroristas. Como reconhecimento de suas habilidades e experiência em combate, muitos dos oficiais da S'13 assumiriam o comando de outras tropas de elite das FDI, como a Sayeret Duvdevan, Sayeret Shimshon e Sayeret Egoz.

Mais recentemente, a S'13 esteve profundamente envolvida em missões secretas dentro dos territórios ocupados por Israel, interceptando navios clandestinos carregados de armas e explosivos, bem como inúmeras altamente complexas operações de contra-terrorismo. A Shayetet 13 está dividida em três companhias especializadas que atuam conjuntamente se apoiando mutuamente: Raids (assaltos), responsável pelas incursões do mar para terra, assassinatos de alvos estratégicos, resgate de reféns no mar e contra-terrorismo; Underwater (debaixo d'água), responsável por todas as missões submarinas, tais como reconhecimento hidrográfico, segurança das praias de desembarque e demolição submarina; Above Water (acima da linha d'água), especializada em operar as lanchas rápidas de ataque em cooperação com os navios e submarinos da Marinha israelense, com a missão primária de transportar as outras duas companhias, com segurança e agilidade, até os seus objetivos.

O treinamento dos membros da S'13, todos voluntários, tem duração de 20 meses e é considerado por muitos o mais exigente dentro das FDI, sendo comum exercícios conjuntos com unidades navais de elite estrangeiras, entre elas a US Navy SEAL. O curso é composto das seguintes fases: seis meses de treinamento básico e avançado em uma das brigadas de infantaria das FDI; três semanas na escola de paraquedismo; três meses para aprendizado de manuseio de diversos tipos de armas, elementos básicos de guerra no mar, operação de pequenas embarcações, natação, marcha forçada e técnicas de demolição; quatro semanas na escola de mergulhadores de combate; e um ano no qual os treinandos aprimoram as técnicas de mergulho com sistemas de circuito fechado, de demolição submarina e de incursão do mar para a terra (via mergulho, botes, submarinos ou paraquedas). Ainda nesta fase, passam três meses na escola de contra-terrorismo das FDI, onde aprendem a executar operações de assalto a navios, plataformas petrolíferas ou prédios próximos ao litoral. As armas utilizadas pelos membros da S'13 são basicamente as mesmos das outras forças especiais israelenses, como os fuzis de assalto CAR-15 de 5.56 mm e AK-47 de 7.62 mm, submetralhadoras Uzi de 9 mm, pistolas Jericho 941 de 9 mm, granadas de fragmentação M26 e óculos de visão noturna, além de alguns equipamentos específicos como sistemas de mergulho de circuito fechado, botes infláveis, roupas de neoprene e lanchas rápidas. Certamente a Shayetet 13 está entre as melhores unidades navais de operações especiais do mundo, não só por suas técnicas e versatilidade, mas principalmente por sua inestimável experiência em combate.

Para SAR - Brasil


O Para-SAR (oficialmente Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento - EAS) é um grupo de elite da Força Aérea Brasileira (FAB) especializado em salvamento, resgate e operações especiais, capaz de atuar em missões de combate, Combate-SAR (C-SAR) e SAR, nos mais complexos ambientes, reunindo o que há de melhor entre os integrantes operacionais da Força. Sua origem remonta ao ano de 1943, quando oficiais treinados nos Estados Unidos introduziram as técnicas de paraquedismo na FAB. Duas décadas depois, em 1963, com a crescente utilização do paraquedismo em missões de busca e resgate de acidentes aeronáuticos em todo o mundo, a Força Aérea resolveu criar uma estrutura própria para executar esta difícil tarefa e assim nascia a então denominada 1ª Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento - 1ª EAS). Atualmente sediado na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro, operacionalmente subordinado ao comando da II FAE, convive na área do lendário Campo dos Afonsos com várias unidades com as quais sempre esteve intimamente ligado, como é o caso da Brigada Paraquedista do Exército Brasileiro, do 3º/8º Grupo de Aviação que opera os helicópteros CH-34 Super Puma e do 1º Grupo de Transporte de Tropas que opera as aeronaves C-130H Hércules.

Para cumprir suas atribuições, a unidade conta com cerca de 150 efetivos, pequeno dada a dimensão continental de nosso país. Diariamente duas equipes ficam em alerta, uma equipe SAR compõe com um helicóptero CH-34 e a outra com uma aeronave C-130H, cujo tempo de resposta em caso de acionamento é de 20 minutos e duas horas, respectivamente, o que se justifica pois a preparação do Hércules é mais demorada já que provavelmente sua missão será de busca sobre o mar. Porém não é em todo acidente que o Para-SAR é acionado, isto porque todas as unidades de helitransporte e o 2º/10º GAv. estão aptos a realizar tarefas SAR e o Comando de Operações Aéreas somente solicitará a presença do pessoal do EAS em função da dimensão e das dificuldades impostas pelo acidente. Para se tornar um membro do Para-SAR o voluntário deverá ser aprovado em cinco cursos ao longo de dois anos, que incluem Curso SAR (Busca e Resgate), Paraquedismo Básico, Mergulho Autônomo, Salto Livre e Mestre de Saltos. A "pós -graduação" é o curso de Operações Especiais (Para-Comandos), que lhe confere o status de guerreiro, capacitando-o a executar principalmente missões de resgate em combate.

A unidade é a única na FAB apta a realizar missões de Operações Especiais, sendo utilizada em missões de C-SAR (Combate-SAR), resgate de reféns, preparação de terreno, reconhecimento, sabotagem ou qualquer tipo de ação furtiva em território hostil. Estas atividades são executadas somente por militares com curso específico para tal, que passam por treinamentos rigorosos, com duração média de três meses, ministrados pelo Exército Brasileiro nas instalações da Brigada de Forças Especiais ou no Centro de Instrução de Guerra na Selva-CIGS). Para as missões de combate, as equipes possuem diversos equipamentos especiais à disposição, como botes infláveis, kits de primeiros socorros, equipamentos para escalada, mergulho e paraquedismo, tudo devidamente organizado por setores e com rigoroso controle de validade, já que um material com data vencida poderia comprometer o sucesso de uma missão. As armas padrões do Para-SAR são o fuzil suíço Sig Sauer SG-551 de 5,56mm, a pistola Taurus PT-92 de 9 mm e o fuzil sniper HK PSG-1 de 7,62 mm.

Vital no moderno Teatro de Operações, o C-SAR é uma especialidade do Para-SAR, cujo objetivo é localizar e resgatar um piloto que tenha sido abatido atrás das linhas inimigas, sempre uma tarefa complexa e extremamente perigosa, que requer um planejamento rigoroso e pessoal bem treinado. Normalmente estas ações são furtivas e aerotransportadas por helicópteros, executadas por equipes compostas por cinco elementos que estão aptos a realizar todo o tipo de tarefa de combate e resgate, sempre bem equipada e pronta para responder a uma possível oposição armada. Quando a operação é desencadeada, o helicóptero de resgate é escoltado por helicópteros de ataque, que fazem um reconhecimento da zona de desembarque e garantem a segurança na área. Uma vez no solo, a equipe do EAS identifica o piloto certificando-se de sua identidade através de um código pré-estabelecido para evitar uma possível emboscada, a seguir presta os primeiros socorros se necessários e então rapidamente evacua o local para diminuir as chances de contra-ataque do inimigo. Ao longo de sua existência o Para-SAR não teve oportunidade de efetuar uma missão Combate-SAR real, embora a treine constantemente, mas se fez presente em todos os grandes acidentes aéreos ocorridos no território nacional, atuando ainda em diversos estados de emergência e de calamidade pública no Brasil e no exterior, salvando centenas de vidas humanas, graças ao profissionalismo, abnegação e coragem dos membros desta eficiente unidade, cujo lema bem traduz a sua nobre vocação: "Nossa Lida, Sua Vida".

Special Air Service (NZSAS) - Nova Zelândia


O Grupo de Serviço Aéreo Especial da Nova Zelândia (New Zealand Special Air Service - NZSAS) é a mais importante unidade  de combate das Forças de Defesa neozelandesas. Baseado na cidade de Auckland é composto por oficiais e soldados altamente profissionais e comprometidos com a busca da excelência. Seu lema: "Who dares wins" ou "Aquele que ousa vence". O NZSAS tem suas raízes no famoso Long Range Desert Group, uma unidade do exército inglês que lutou nos desertos do Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1955, o exército neozelandês decidiu criar um esquadrão, nos moldes do SAS britânico, especializado na luta contra-insurgência ou guerra não convencional. De um total de 800 voluntários civis apenas 140 foram aceitos para continuar o treinamento na base da RAF em Cingapura, para especialização em paraquedismo e combate em ambiente de selva. Um terço de seu contigente era formado por homens da etnia Maori, que provaram ser não somente corajosos e excelentes rastreadores, mas também ajudaram muito no contato com aborígenes de outros países. Seu batismo de fogo ocorreu no mesmo ano, quando 133 de seus homens foram enviados para combater guerrilheiros comunistas nas selvas da Malásia, numa campanha que durou quase dois anos. 

Atualmente, para ser incorporado ao NZSAS, voluntários das três Armas devem passar com sucesso por um curso de seleção de dez dias na localidade de Waiouru, onde são testados no limite de suas forças física e mental. No primeiro dia são submetidos aos exames de aptidão normais do exército adaptados aos requerimentos do NZSAS. Os três dias seguintes são dedicados à navegação e orientação em campo aberto, onde cada voluntário carrega uma mochila de 35 kg e seu rifle, com um mínimo de comida e com poucos momentos para descanso. No quinto dia é a vez do famoso "Exercício Von Tempsky" que consiste em uma marcha de 24 horas em terreno pantanoso ou sobre dunas de areia, carregando o rifle, a mochila de 35 kg e mais um ou dois galões de 20 litros. Os oficiais passam por um teste adicional, com duração de dois dias, onde são avaliadas as suas qualidades de liderança. Mesmo os candidatos aprovados na seleção inicial ainda passarão por severos exames médicos, psicológicos e acadêmicos antes de iniciarem o treinamento de nove meses do NZSAS, onde todos receberão noções básicas de navegação, manuseio de armas, primeiros-socorros, demolição com explosivos e artes marciais, entre outros. O treinamento avançado compreende especialização em paraquedismo, mergulho, montanhismo, infiltração e exfiltração atrás das linhas inimigas. Ao final receberão a tão almejada boina cor de areia e o cinturão azul da unidade. Apenas 10 a 15% dos voluntários conseguem concluir com sucesso o período de treinamento.


Em 2000 foi criado o esquadrão Commando (antigo Counter Terrorist Assault Group - CTTAG), oficialmente como parte do NZSAS, dedicado à luta anti-terrorista. Seus membros recebem treinamentos específicos tais como combate em áreas urbanas, entrada dinâmica e "limpeza" de cômodos, resgate de reféns e técnicas de sniper. O grupo está apto a responder prontamente à ameaças terroristas em qualquer parte do território neozelandês. Os membros do NZSAS utilizam o uniforme padrão das Forças de Defesa do país e dentre seus equipamentos e armas estão o fuzil de assalto Steyr AUG 77, de 5.56 mm, pistolas SIG Sauer P226, de 9 mm, metralhadoras FN Minimi C9, de 5.56 mm, navegadores GPS, óculos de visão noturna modelo M983, binóculos NVG modelo N/CROS Mk.III, lanchas rápidas e equipamentos de mergulho de circuito fechado. 

Desde de sua criação o NZSAS participou de diversas campanhas no exterior: além da Malásia em 1955 já citada acima, atuou em Borneo em 1965 ao lado de membros dos SAS britânicos e australianos, contra insurgentes indonésios; no Vietnã em 1968, onde um destacamento denominado 1º Ranger Squadron serviu sob o comando da Austrália, cumprindo missões que envolviam emboscadas a forças inimigas, e tarefas de reconhecimento e observação em área hostil; no Kuwait em fevereiro de 1998, onde 24 membros da NZSAS tinham a tarefa de resgatar possíveis pilotos abatidos em território inimigo (C-SAR), durante a campanha aérea liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, na chamada "Operação Griffin"; no Afeganistão no período de 2001-2005, na "Operação Enduring Freedom", onde equipes de cinquenta homens se rodiziavam de seis em seis meses. Em 17 de junho de 2004, dois homens do NZSAS foram feridos durante uma incursão ao amanhecer na região central do país. O soldado Willie Apiata carregou o companheiro severamente ferido por 70 metros, sob fogo cerrado de metralhadoras e granadas, após seu veículo ser destruído em uma emboscada, até conseguir se juntar aos demais membros da equipe em local protegido. Em reconhecimento por suas  ações neste engajamento, o soldado Willie Apiata foi condecorado com a medalha Victoria Cross pela Nova Zelândia. Em dezembro de 2004, a comenda United States Navy Presidential Unit Citation foi outorgada a todas as unidades SAS que haviam contribuído em neutralizar as forças do Talibã e da Al Qaeda, em missões extremamente arriscadas, incluindo busca e resgate, reconhecimento especial, destruição de complexos de cavernas e túneis, e captura de membros importantes daquelas organizações, sempre demonstrando extraordinários heroísmo e coragem.

Unidade Especial Aerotransportada (ETA) - Grécia


O exército grego construiu uma excelente reputação no uso de unidades de elite no combate em regiões montanhosas. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele forneceu ao Serviço de Operações Especiais britânico seus melhores homens especializados em operações de sabotagem atrás das linhas alemãs na ilha de Creta e em seu próprio território. Nos dias atuais esta tradição é mantida pelas suas diversas unidades de forças especiais. A principal delas é conhecida como ETA (Ediko Tmima Alexiptotiston) ou Unidade Especial Aerotransportada, organicamente vinculada à 1ª Divisão Paraquedista, que tem suas origens na Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance, criada em 1959, com o objetivo de conduzir operações similares àquelas desempenhadas pelo SAS britânico e pela Força Delta americana.

Entre suas especialidades estão os assaltos de ação direta, missões de sabotagem e reconhecimento estratégico. Seu efetivo é basicamente formado por oficiais e suboficiais voluntários, que são submetidos a um rigoroso programa de treinamento, onde são valorizados o vigor físico e o controle psicológico dos candidatos. Devido às características geográficas do território grego, há uma particular ênfase na preparação para escalada e técnicas de combate em regiões montanhosas. Estas são complementadas por cursos de paraquedismo (infiltração através de saltos HALO e HAHO), guerra não convencional, curso de mergulho e treinamento de reconhecimento na Academia da Otan, na Alemanha. A unidade conquistou o respeito de seus pares quando participou de exercícios conjuntos com outras tropas de elite européias e americanas, deixando a percepção de ser uma força de combate eficaz e efetiva sob as mais severas circunstâncias.


Os membros da ETA também já efetuaram treinamento com a unidade contra-terrorista do Exército egípcio conhecida como Task Force 777, tendo com isto desenvolvido uma considerável experiência em operações no Oriente Médio. Embora seja uma unidade altamente secreta, sabe-se que eles operam regularmente fora do território grego em operações clandestinas dentro da Macedônia e de outras repúblicas da antiga Iugoslávia, para evitar a agressão da população de origem muçulmana contra os macedônios de origem grega, que são maioria. Porém sua área de atuação principal é na fronteira com a Turquia, inimigo histórico com o qual já teve sérios problemas, em estado de constante tensão desde 1945 devido à disputa pelas diversas ilhas gregas próximo ao litoral turco, e em Chipre, onde os dois países se enfrentaram em 1974, para defenderem as comunidades grega e turca que coabitam a ilha.

Antes da Olimpíada de Atenas em 2004, os membros da ETA foram extensivamente preparados para combates em áreas urbanas e hoje contam com um centro de treinamento específico na localidade de Kilkis, onde exercícios são conduzidos regularmente. Os uniformes utilizados são os mesmos padronizados para o Exército grego, mas podem ser utilizados outros tipos de vestimenta dependendo da situação. Seu armamento compreende uma variedade de armas usadas por outros membros da Otan, incluindo o fuzis de assalto M-16 e Colt M4, ambos de calibre 5,56 mm, submetralhadoras FN Minimi de 5,56 mm e lançadores de granadas M203 de 40 mm. Tropas da ETA atuaram na Somália -1991, Bósnia-1995, Albânia -1997, Kosovo-1999 e Afeganistão-2001, sempre como parte das forças de manutenção da paz, a serviço das Nações Unidas.

Kopassus - Indonésia


O Comando de Forças Especiais do Exército da Indonésia, Kopassus (Komando Pasukan Khusus, na língua local), foi criado em 16 de abril de 1952 no território de Java. Com a denominação inicial de Kesatuan Komando Territorium 111 e efetivo de quinhentos homens, teve como primeiro comandante Mochammad Idjon Djanbi, um oficial holandês chamado Rokus Bernadus Visser que se casou com uma indonésia e se converteu ao Islamismo. Atualmente conta com mais de 6.000 soldados e seu quartel general está localizado na cidade de Cijantung próxima à capital Jakarta. O processo de seleção não leva em consideração apenas as aptidões físicas e mentais dos voluntários mas também a sua ideologia, devido ao fato de que uma de suas principais missões é o combate aos diversos grupos ligados a movimentos separatistas através das milhares de ilhas que compõem o país. Após a entrevista inicial passam para a fase de seleção propriamente dita que termina com uma marcha de 38 km através de trilhas nas montanhas com o mínimo de suprimentos.

A seguir os candidatos participam durante uma semana da fase de "Fuga e Evasão", onde ser "capturado" significa ser eliminado do processo. Porém aqueles que são bem sucedidos no teste são conduzidos a um ponto de encontro em uma praia deserta para a cerimônia de formatura. Na fase de treinamento, com duração total de seis meses e centralizado na Escola de Operações Especiais na cidade de Batu Jajar, os membros da Kopassus devem se qualificar como Comandos, num período que inclui exercícios de sobrevivência e guerra na selva. Devem estar aptos ainda no curso de Para-Combatentes, executando saltos noturnos, saltos de combate totalmente equipados e salto sobre área de selva fechada. Interessante ressaltar que todos os treinamentos são feitos com munição de verdade e não é raro ocorrerem mortes ou ferimentos graves devido a seu uso. O Kopassus exige um alto padrão de desempenho de todos os seus membros não sendo tolerado o mínimo erro. Se este ocorre, ainda que no último dia de treinamento, o candidato é imediatamente desligado. Cada homem deve estar habilitado em salto livre de combate, mergulho, tiro de sniper, montanhismo, guerra eletrônica, operações psicológicas, além de fluente em pelo menos dois dialetos locais e em línguas estrangeiras para os oficiais.


Esta tropa de elite está organizada em cinco grupos, cada um comandado por um oficial com a patente de coronel, assim distribuidos: Grupo 1, baseado a oeste de Java, composto de 3 batalhões especializados em ações de para-comandos; Grupo 2, sediado na região central de Java, composto também com 3 batalhões de para-comandos; Grupo 3, baseado a oeste de Java, treinado em ações de Comandos; Grupo 4, localizado em Jakarta, composto com pessoal oriundo dos Grupos 1,2 e 3, conduzem operações de Inteligência e psicológicas infiltrados em regiões do país ocupadas por insurgentes ou em território estrangeiro; Grupo 5, estabelecido ao sul da capital, especializado em ações contra-terroristas e treinados em diversas técnicas de resgate de reféns e anti-sequestro. Há ainda o Grupo de Guarda Presidencial (Paspamres), batalhão responsável pela proteção direta do Presidente e dos Ministros de governo.

As armas e equipamentos do Kopassus são muito diferentes dos usado pelos demais soldados do Exército indonésio. Estão disponíveis, rifles de assalto FNC SS1V-1, AK-47 e M-16, submetralhadoras Hecker & Koch MP-5, pistolas Sig Sauer P220 de 9 mm, metralhadoras FN Minimi, equipamentos modernos para saltos HALO e HAHO com uso de máscaras de oxigênio, botes de borracha para infiltração aquática, óculos de visão noturna e navegadores GPS. Seu uniforme possui a camuflagem padrão do exército, com os distintivos específicos da unidade, além da tradicional boina vermelha que identifica seus membros. Desde sua criação o Kopassus já executou diversas operações, no país e no exterior, a maioria delas contra os grupos separatistas. Mas uma de suas ações mais marcantes ocorreu em 1981 quando um avião da Garuda Airlines foi sequestrado por seguidores de Imran, líder de um movimento islâmico separatista. A aeronave foi forçada a pousar no Aeroporto de Don Muang na Tailândia, para onde foram enviados membros do Kopassus que em uma operação rápida e bem planejada, subjulgou os sequestradores e libertou todos os reféns. Preparado para ações de pequena duração e grande intensidade sempre honrou seu lema: Coragem-Caráter-Sucesso.

Combatente de caatinga - Brasil


O Brasil é constituído por diversas macro-regiões com climas e geografia específicos, bem distintos entre si, e entre estas destaca-se o sertão nordestino que compreende cerca de 10% de nosso território com clima semi-árido e vegetação denominada caatinga. Este nome origina-se das palavras indígenas "caa" (mata) e "tinga" (branca) devido aos tons cinza e verde do ambiente, com vegetação rasteira, arbustos espinhosos e muitos cactos em um bioma exclusivamente brasileiro. Ciente da necessidade de contar com uma tropa especializada para operar nesta região, o Exército Brasileiro (EB) criou o 72º Batalhão de Infantaria Motorizado (72º BIMtz), localizado na cidade de Petrolina(PE), no vale do rio São Francisco, em cujas instalações encontra-se ainda o Centro de Instrução de Operações na Caatinga, com a missão de estudar, planejar e desenvolver uma doutrina operacional específica para este ambiente.

Entre os cursos ministrados estão o Estágio Básico de Combatente de Caatinga, com duração de uma semana, Estágio Avançado de Combatente de Caatinga, com duração de duas semanas e o Estágio de Caçador de Caatinga, com duração também de duas semanas, onde o militar recebe treinamento nas seguintes disciplinas: Características do Ambiente Operacional de Caatinga; Primeiros Socorros; Técnicas Especiais; Topografia; Marchas e Acampamento; Comunicações; Emprego Tático em Operações na Caatinga; Treinamento Físico e Exercício de Desenvolvimento da Liderança.

A área onde se desenvolvem as operações do combatente de caatinga é certamente uma das mais inóspitas do mundo, composta de uma vegetação agressiva, solo pedregoso, escassez de água e com calor escaldante, exigindo um uniforme que possibilite uma proteção mais eficiente do que os normalmente utilizados pelo EB, mais reforçado, feito de material mais resistente para permitir o deslocamento no interior da caatinga sem comprometer a integridade física da tropa, além de proporcionar alguma camuflagem. Inspirado na indumentária do sertanejo, o uniforme é confeccionado em brim na cor cáqui e com aplicação de couro especial nas partes que são mais atingidas pelos espinhos ou galhos secos. A protetor para a cabeça também é feito de brim, com pala dobrável e extensão para proteger a nuca, mostrando-se mais adequado do que o capacete de kevlar que concentra grande quantidade de calor, além de provocar ruídos em contato com os arbustos e refletir a luz, comprometendo a ocultação do combatente. O coturno é o tradicional com cano de couro, mais resistente do que o do tipo selva com a parte superior de lona.

A experiência mostrou a necessidade de se utilizar também óculos de acrílico e luvas de couro que protegem o dorso e a palma da mão mas permitem o livre movimento dos dedos. O armamento empregado é o padrão do Exército Brasileiro, como o fuzil FN FAL, calibre 7,62 mm, a pistola Imbel M973, calibre 9 mm, a arma anti-tanque Carl Gustav M3, calibre 84 mm e a metralhadora FN MAG, calibre 7,62 mm. Em 1993, o 72° BIMtz passou à condição de Unidade de Pronto Emprego, permitindo resposta imediata em situações de conflito, sendo a única unidade no Brasil apta a operar no ambiente de caatinga.

Comandos navais - Noruega


Oficialmente denominada Marinejegerkommandoen (MJK = Navy Ranger Command) a unidade de forças especiais da Marinha norueguesa foi criada em 1951. Está dividida em duas unidades operativas, uma das quais localizada em Ramsund, no nordeste do país e a outra está aquartelada na base naval de Haakonsvern, em Bergen. O MJK pode atuar em diversos tipos de operações, tais como guerra não-convencional, contra-guerrilha, missões de reconhecimento, recuperação ou proteção de navios ou plataformas de petróleo, contra-terrorismo, resgate de reféns e ações diretas (sabotagens, incursões e seqüestro ou eliminação de oficiais inimigos). Como é de se esperar de qualquer tropa especial de renome, o treinamento para se tornar um membro do MJK é longo e árduo com duração de dois anos, sendo complementado pelos cursos do período contratual como técnico em primeiros-socorros, tiro de sniper e controlador aéreo avançado.

Os candidatos são submetidos a testes extremos, um destes consistindo em percorrer uma trilha carregando uma mochila com 60 kg de equipamentos, enquanto são perseguidos pelo "inimigo", e quando "capturados" passam por um ríspido interrogatório de 36 horas, que testará sua resistência física e psicológica. Após concluída a fase de treinamento, todos os membros do MJK são designados oficiais, o que mantém um nível de autoridade e independência operacional em relação à outras unidades não especiais das forças armadas norueguesas. A despeito de não ser tão famosa como suas congêneres, por exemplo o SAS britânico, os SEALs americanos ou o COMSUBIN italiano, o MJK é considerado pelos especialistas militares como uma unidade de operações especiais de primeira linha.

 Conforme definido em sua doutrina básica "os membros do MJK devem ser capazes de executar missões onde o uso de forças convencionais não é adequado ou suficiente. Devem ter alta mobilidade, estar preparados para atuar com força extrema, agilidade e eficiente poder de fogo, especializados e equipados para operar tanto em terra como no mar com a mesma eficiência, ainda que submetidos a condições climáticas adversas ou sob a tensão do combate." O MJK é parte integrante do comando de operações especiais criado para proteger os interesses da Noruega, tanto no ambiente doméstico como na arena internacional, onde está preparado para atuar em conjunto com unidades semelhantes dos países membros da OTAN. Os comandos navais têm participado de um sem número de operações internacionais, mais notadamente e muito recentemente na Operação Liberdade Duradoura no Iraque e no combate aos guerrilheiros talibans no Afeganistão. Embora a participação do MJK nestas missões tenha sido mantida em segredo, acredita-se que tenha participado de ações diretas, controle aéreo avançado e reconhecimento/vigilância em território hostil, em cooperação com as unidades de forças especiais dos Estados Unidos.

Em solo afegão foi a única unidade que não precisou ser evacuada por problemas de desidratação nas extremas condições do clima desértico e ainda se tornou a unidade que executou o maior número de missões entre todas que participavam da Coalizão. Por esta relevante atuação no Afeganistão, o MJK foi agraciado com a "Navy Presidential Unit Citation", a mais alta condecoração dada a unidades militares pelo governo americano, o que atesta seu elevado profissionalismo e eficiência operacional. Entre os principais armamentos utilizados estão os rifles de assalto Heckler & Koch HK-416 e G-36C, ambos de 5,56 mm, fuzis para sniper Accuracy International L115A1 e HK PSG-1, fuzil anti-material Barret M82A1, calibre 12,7 mm, sub-metralhadora HK MP-5, metralhadoras pesadas Browning M2 e FN Minimi, pistolas HK USP, de 9 mm, e lança-rojões M-72 LAW.

Marines Force Recon - Estados Unidos


Embora considerado, por si só, uma tropa de elite, o U.S.Marine Corps tem dentro da corporação pequenos grupos de operações especiais com a missão de penetrar as linhas inimigas para efetuar reconhecimento do terreno, a posição e as condições da força oponente e ainda realizar ataques e sabotagens em apoio às grandes operações dos fuzileiros americanos. Estes grupos são conhecidos como Batalhões de Reconhecimento (Force Recon), cuja existência só foi reconhecida oficialmente após a Guerra do Vietnã. Até 1998 haviam duas unidades de reconhecimento separadas, a Recon e a Force Recon, a primeira com a função de apoiar as operações anfíbias e terrestres a nível de Divisão e a segunda deveria executar infiltração em profundidade e patrulhas de reconhecimento em território hostil. Desde então a combinação das duas unidades em um único batalhão trouxe ao U.S.Marine Corps maior agilidade e melhor operacionalidade.

O Force Recon está dividido em três seções ou companhias: a Cia A é responsável pelo treinamento dos novos recrutas, onde aprenderão as técnicas e habilidades básicas usadas na atividade de reconhecimento; a seguir, são enviados à Cia B onde iniciarão as patrulhas em apoio às operações da Divisão; ao adquirirem experiência suficiente, são encaminhados para a Cia C, responsável pelas missões mais arriscadas, como as penetrações em profundidade em terreno inimigo e ações de comandos, recebendo aqui um treinamento ainda mais específico para executar com eficiência essas missões. Seus membros estão treinados em diferentes métodos de inserção atrás das linhas inimigas, incluindo o uso de helicópteros, de equipamentos de mergulho de circuito fechado (SCUBA, que não emite bolhas), de botes de borracha ou de técnicas de salto HALO (High ALtitude/Low Opening) e HAHO (High Altitude/High Opening).

Esses métodos são fundamentais para evitar que as forças inimigas descubram que estão sob vigilância e proteger os grupos de reconhecimento das tropas com maiores efetivos. Na eventualidade de que alguma equipe do Force Recon esteja em perigo iminente ou sua presença tenha sido denunciada, ela poderá ser rapidamente evacuada por helicóptero, usando as técnicas de exfiltração, como a "penca" onde diversos homens são presos a uma corda que é içada pela aeronave, transportando-os até lugar seguro. As principais missões do Force Recon são reconhecimento e vigilância a longa distância, recuperação tática de tripulações de aeronaves, operações de interdição marítima, reconhecimento hidrográfico das praias para operações de desembarque anfíbio, resgate de militares capturados, ações de sabotagem e ataques em pequena escala, reconhecimento de portos, buscas submarinas e evacuação de civis americanos de áreas em conflito.

As equipes do Force Recon tiveram ação destacada na Segunda Guerra Mundial, principalmente no teatro de operações do Pacífico, tendo atuado nos desembarques em Tinian, Iwo Jima e Okinawa. Na Guerra da Coréia além das tarefas de reconhecimento, efetuaram ações de sabotagem em ferrovias e túneis, sendo que algumas dessas missões foram executadas em até 70 km dentro do território norte-coreano. Na Guerra do Vietnã, as equipes eram infiltradas bem atrás das linhas inimigas, em missões que duravam de cinco a seis dias, e uma vez em solo faziam patrulhas em busca da localização das tropas vietnamitas, seu efetivo e possíveis desdobramentos. Em algumas situações executavam emboscadas e faziam prisioneiros para conseguir documentos importantes ou interrogá-los para obter informações relevantes.

Batalhões de Infantaria de Selva - Brasil


A necessidade de operar em um ambiente tão complexo e específico como a Amazônia e melhor defender suas riquezas imensuráveis, o Exército Brasileiro (EB) decidiu criar em 1965 o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), a melhor escola desta área no mundo, que a partir de então formaria os combatentes de selva, que após receberem o tão almejado "brevê da onça", seriam núcleo base dos Batalhões de Infantaria de Selva. Essas unidades de elite, composta em sua maioria por soldados profissionais e contando em seus contigentes com muitos homens nativos da região e oriundos de tribos indígenas, completamente adaptados ao ambiente amazônico, são parte integrante da Força de Ação Rápida do EB. Cada batalhão é composto por três Companhias de Fuzileiros de Selva e uma Companhia de Comando e Apoio, responsável pela logística, suprimento, transporte, saúde e comunicações da unidade. A célula básica é o chamado Grupo de Combate, formado por duas esquadras de tiro, com quatro homens cada uma, um atendente médico e o comandante do grupo, portando equipamento leve, que lhes permite tanto operar com desenvoltura em selva densa, como efetuar assaltos helitransportado.

Nos batalhões, com o intuito de operar continuamente na região de selva, mantendo altos níveis de preparo psicológico, de adestramento e de capacidade de sobrevivência, procurou-se definir missões específicas para cada Companhia de Fuzileiros: a 1ª Cia Fuz.Sl. é reponsável pela formação do efetivo variável (conscritos) e está apta a atuar em terreno convencional, como os vastos planaltos do estado de Roraima; a 2ª Cia Fuz.Sl. volta-se para as operções aeromóveis, com o apoio dos helicópteros do 4º Batalhão de Aviação do Exército, sediado em Manaus; e a 3ª Cia Fuz.Sl. especializada em operações ribeirinhas. Esta tropa de elite, considerada entre as melhores do mundo, só admite em seus quadros membros com excelente preparo físico e psicológico para poderem suportar as dificílimas condições climáticas onde atuarão e as pressões a que serão submetidos, como combater em selva densa e sobreviver com poucos recursos. Antes de iniciar seu treinamento no CIGS, onde passarão pelo Curso de Operações na Selva (COS) com duração de nove semanas operacionais e mais duas para aclimatação, os candidatos devem se submeter ao exame de aptidão física, com provas de natação, flutuação, corrida rústica, subida na corda e marcha forçada, portando uniforme completo e coturno.

Iniciado o COS, na Fase de Vida na Selva, os alunos são submetidos à um exercício de sobrevivência de 5 dias na mata fechada, onde testam ao máximo seus limites, aprendendo a sobreviver somente com o que a floresta oferece, além de noções básicas de higiene, profilaxia, primeiros socorros, orientação e navegação. Em seguida vem a Fase de Técnicas Especiais, com instruções no uso do rappel, condução de embarcações, operação de bússola e GPS, operações aeromóveis, infiltrações aquáticas, destruição de alvos, preparação de armadilhas, tiro de sniper, entre outras técnicas importantes. Já na Fase de Patrulha, durante três semanas é intensamente testado como líder de frações de tropa, sendo submetido a várias situações que poderão ocorrer em caso de guerra. Quando inicia a Fase de Operações, o candidato já adquiriu conhecimento suficiente para enfrentar a complexidade do combate real, devendo possuir competência para coordenar meios aéreos, fluviais e terrestres em operações conjuntas com as demais Forças. Devido ao respeito que conquistou e à proficiência de seus cursos, o CIGS recebe todos os anos alunos oriundos de nações amigas, que passam pelo rigoroso treinamento ali ministrado, e ainda serve como referência para a criação deste tipo de unidade em outros países. Por atuar em um ambiente específico, os guerreiros de selva não poderiam deixar de usar equipamentos especiais para poder executar bem suas missões. O uniforme é confeccionado em tecido especial que permite uma secagem rápida num ambiente de grande umidade, sem causar desconforto ao combatente.

A ração foi adaptada ao paladar brasileiro, com elevado teor de proteínas e fibras e pouca gordura, que poderia provocar desidratação e diarréia na selva amazônica. Os coturnos são feitos parcialmente em lona com pequenos furos, que drenam a água acumulada na travessia de pequenos riachos ou igarapés. O fuzil padrão é o Pára-FAL, de 7,62 mm, com coronha rebatível, altamente resistente às duras condições operacionais da região. As unidades contam ainda com o lança-rojão AT-4, metralhadoras MAG, de 7,62 mm, escopetas Boito calibre 12, lança-granadas Grintek de 40 mm, fuzil sniper Imbel Fz.308, morteiros Hotchkiss de 60 mm, além de zarabatanas, besta e facões de mato. Para deslocamento por trilhas tão fechadas, está sendo testado com sucesso a utilização de búfalos para carregar os suprimentos da tropa, animal perfeitamente adaptado às condições locais. Exercícios constantes na região testam a chamada "estratégia de resistência", para a eventualidade de um confronto entre nossas forças e as de um país com poderio militar bem superior, visando tornar caro ao inimigo qualquer tentativa de agressão à Amazônia brasileira. Para tanto, o Exército Brasileiro matém em diversos pontos secretos no meio da floresta, pequenos conteiners enterrados no solo com alimentos, remédios e munições, a fim de prover suprimentos para os combatentes isolados na selva, além de tanques de combustível para reabastecer helicópteros ou embarcações durante o conflito. Reforçando esta tática, muitos rádio-operadores dos batalhões são de origem indígena e se comunicam em sua língua nativa, impedindo que as comunicações sejam decifradas pelo inimigo. Num possível conflito, os guerreiros de selva agiriam em pequenas frações, mas capazes de infringir pesadas perdas ao adversário, tirando vantagem de seu grande conhecimento da floresta, para desaparecer rapidamente em meio à densa vegetação. SELVA !

Forças de Operações Especiais - China


Embora não sejam um serviço independente dentro do Exército chinês (PLA), as Forças de Operações Especiais (SOF Special Operations Forces, em inglês) recebem tratamento prioritário na alocação de recursos e equipamentos. Essas tropas têm recebido considerável atenção em seu desenvolvimento desde o início dos anos 90, como elemento fundamental na modernização das forças terrestres chinesas. Cada região militar do país tem a sua unidade especial, cujo tamanho pode variar de 500 a 1.000 homens, sendo parte integrante das estratégicas forças de reação rápida, capazes de serem empregadas por ar ou por terra, em qualquer lugar dentro da China, num curto espaço de tempo. Até o final dos anos 80, o PLA não possuia nenhum tipo de unidade para operações especiais, embora existissem grupos especialmente treinados e equipados para efetuar tarefas tais como assalto e retomada, emboscadas, sequestros de inimigos e coleta de informações. Estas equipes tiveram um papel importante durante a guerra de fronteiras com o Vietnam em 1979.

Pouco depois deste conflito o PLA começou a ampliar o papel das equipes de reconhecimento para uma muito mais variada gama de missões. A primeira unidade especial de reação rápida foi formada na região militar de Guangzhou em 1988, com a denominação de Grupo Especial de Reconhecimento, que recebeu armas e equipamentos que não eram disponibilizados para as outras forças terrestres, além de treinamento específico em técnicas de sobrevivência, natação utilitária, paraquedismo e assalto helitransportado, levando as outras regiões a criarem suas unidades a partir do início da década de 90. Inspirada pela performance das forças especiais americanas na guerra do Golfo em 1990 e no conflito do Kosovo em 1998, e em resposta à crescente tensão entre a China e Taiwan, as unidades de operações especiais do PLA foram expandidas ainda mais, capacitando-as a atuarem com grande eficiência em terra, mar e ar, executando missões mais sofisticadas tais como assalto aéreo a longa distância, reconhecimento estratégico, inserção subaquática, desembarque anfíbio, inteligência e contra-terrorismo.

 O treinamento das forças especiais do PLA, como as demais tropas de elite do mundo, enfatiza o condicionamento físico superior de seus membros e a habilidade e precisão no manuseio de armas de fogo. Todos recebem aulas de artes marciais e técnicas de sobrevivência nos mais diversos tipos de terreno, e dependendo das missões específicas que executarão, são treinadas em uma ou mais das seguintes áreas: combate urbano, operações anfíbias, demolição, comunicações, informática e línguas estrangeiras. O PLA não possui um comando unificado destas tropas, a exemplo do U.S. Special Operations Command, mas acredita-se que estejam operacionalmente ligadas ao 2º Departamento (Inteligência) do Estado-Maior do Exército. As unidades, por região, são: Guangzhou, primeira a ser criada em 1988; Chengdu, criada em 1992 e denominada "Falcon"; Beijing, criada em 1990, especializada em equipamentos de alta tecnologia; Shenyang; Nanjing, conhecidas como "Flying Dragon" e "Eagle"; e a da região militar de Lanzhou.

As forças especiais do PLA são geralmente bem melhor equipadas e treinadas quando comparadas com as demais tropas do Exército e contam, além das padronizadas pistolas, fuzis de assalto e metralhadoras, com equipamento especializado tais como submetralhadoras com silenciadores, lança-rojões, lançadores de granada, coletes, rádios táticos, óculos de visão noturna, designadores laser portáteis e receptores GPS. Para seu deslocamento possuem veículos blindados leves e recebem apoio dos helicópteros do Exército e dos aviões de transporte da Força Aérea. Algumas de suas armas são as pistolas QSW06 (Type 06), de 9 mm e QSZ92 (Type 92) de 5.8 mm, a submetralhadora QCW05 (Type 05), de 5.8 mm, o lança-rojão FHJ84, de 62 mm e o morteiro automático W99, de 82 mm, todas de fabricação chinesa.